PRECEDÊNCIAS

Ver directores de informação a sacudir água do capote, diz muito do país em que vivemos. O João Pedro Henriques já disse o essencial, mas não resisto a comentar o famoso «atropelamento». Saber se era mais importante fazer o directo com Sócrates ou Alegre resume-se a discutir decisões editoriais. As televisões (todas) optaram pelo primeiro-ministro. Houve quem não gostasse. Critério subjectivo, decerto respeitável, porém indefensável de um ponto de vista ético e jornalístico. Está escrito nas estrelas que o segundo classificado tem precedência? Nas eleições em que é preciso haver segunda volta, o candidato que fica em 2º lugar ganha relevância. Ao contrário, naquelas cujo resultado fica decidido, como aconteceu ontem, o 2º e o 6º lugar têm, para efeito de representação, exactamente o mesmo significado. Em qualquer dos casos, tal relevância deve ser aferida, caso a caso, pelo media implicado. Os candidatos, por acaso, eram seis. E se fossem doze, ou vinte, como seria? Um mestre de cerimónias decidia o alinhamento? Eu sei que não é inocente optar num sentido ou noutro. Por isso é que há decisores. A simples ideia de que toda essa gente combina o «seu» momento com o primeiro operador de câmera que encontra, reflecte um paroquialismo insanável. Um político fala quando considera oportuno. Às televisões cabe decidir se fazem ou não fazem o directo. Parece que Sócrates pediu desculpa. Não sabia. Mas o que é que havia para saber?
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