terça-feira, Outubro 21, 2014

AINDA SOMOS UM ESTADO DE DIREITO?

 
É só surpresas, o OE 2015. A cacha é do Diário Económico. Clique.

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sexta-feira, Outubro 17, 2014

SE A CATÓLICA O DIZ

 
Resultados hoje divulgados pelo CESOP da Universidade Católica. Sondagem para o Diário de Notícias, RTP, Jornal de Notícias e Antena Um. Clique para ver melhor.

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quinta-feira, Outubro 16, 2014

DONNA TARTT


Hoje na Sábado escrevo sobre três livros. Resumos:

O Pintassilgo, de Donna Tartt (n. 1963), que regressou após um silêncio de onze anos e venceu o Pulitzer de 2013. Neste terceiro romance, Tartt continua a surpreender pelo à-vontade com que submerge o leitor num universo de violência. O foco da história é o Pintassilgo (1654) do pintor holandês Carel Fabritius. O romance inclui em hors-texte a reprodução do quadro. Com os seus avanços e recuos, O Pintassilgo de Tartt é um retrato da América contemporânea, saltando da costa Leste para a costa Oeste, das casas elegantes do Upper East Side para o submundo dos deserdados. Estamos a falar de um thriller centrado no roubo de obras de arte. Na obra de Tartt, a disfuncionalidade de certas famílias das altas classes-médias é um território de excelência. A autora tem uma escrita limpa até ao osso, despida de floreados, capaz de notações em grande angular com o uso minimalista da retórica. Há um traço distintivo: os seus adolescentes, e não apenas neste romance, têm uma cultura muito acima da média. Se não são meninos-prodígio, andam lá perto: discutem Gluck, T. E. Lawrence, cinema europeu, Eugene Onegin (Pushkin), etc. Longe de matizar o lado negro das suas personalidades atormentadas, acrescenta um verniz de perversidade à dissolução.

Monte Cativo e Outras Ficções, de Jorge de Sena (1919-1978). O volume colige a ficção que o autor escreveu entre 1936 e o início dos anos 1960, com a década de 1940 bem representada. Além da juvenília, inclui os dois contos de Génesis, bem como A Personagem Total, romance inacabado, «o texto mais ambicioso, e mais oficinal, com o seu jogo de níveis narrativos», como faz notar Jorge Fazenda Lourenço, responsável pela edição das obras completas de Sena. Monte Cativo pretendia ser, em quatro volumes, o retrato de um certo Portugal, entre 1936 e 1965. A morte de Sena impediu que fosse além do primeiro  —  Sinais de Fogo  —, mas podemos ler aqui alguns fragmentos do projecto. Publicou a Guimarães.

O Grande Jacques Coeur, de Jean-Christophe Rufin (n. 1952), antigo embaixador da França no Senegal e autor de romances, ensaios e récits. Trata-se da biografia romanceada do homem mais rico de França no reinado de Carlos VII, tão rico que financiou do seu bolso o fim da Guerra dos Cem Anos. Mas a morte inesperada de Agnès Sorel, favorita do rei, foi-lhe imputada, e Jacques Coeur (1395-1456) caiu em desgraça: expulso da corte, preso e torturado, os bens confiscados, consegue fugir e exilar-se com o auxílio do Papa Nicolau V. Dadas as suas intervenções no Levante, em especial no Sudão e no Egipto, pode-se dizer, com ironia mas sem beliscar a verdade, que Coeur foi um banqueiro atento à importância das questões multiculturais. Matéria romanesca não falta. O livro é narrado pelo próprio Coeur, mas, infelizmente, não conseguimos “ouvir” um homem do século XV. O Coeur de Rufin fala como um homem dos nossos dias. É esse o grande óbice. Publicou a Porto Editora.

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quarta-feira, Outubro 15, 2014

O CONSULTOR


O italiano Paolo Pinamonti, director do Teatro da Zarzuela de Madrid desde Setembro de 2011, cargo que ocupa a tempo inteiro, foi contratado pela Secretaria de Estado da Cultura como consultor artístico do Teatro Nacional de São Carlos em Janeiro de 2014. Lembrar que Pinamonti foi director artístico do São Carlos entre 2001 e Março de 2007, altura em que o musicólogo Mário Vieira de Carvalho, então secretário de Estado da Cultura, o dispensou. O governo de Sócrates tencionava cortar oitocentos mil euros no orçamento do São Carlos para 2007 e, nessas condições, Pinamonti manifestou (em carta de Setembro de 2006 dirigida a Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura) a sua indisponibilidade para continuar na direcção do teatro. Pinamonti foi para a Coruña. Os detalhes e o diz-que-disse constam de uma entrevista dada por Pinamonti a Luciana Leiderfarb, publicada no Expresso em 18 de Março de 2007.

Entretanto, pela mão de Jorge Barreto Xavier, actual secretário de Estado da Cultura, Pinamonti voltou ao Chiado há dez meses, na qualidade de “consultor artístico”. Regressou com um contrato de prestação de serviços, com a duração de três anos. Mas ninguém sabe o que o senhor faz exactamente nem o montante da remuneração. O Portal Base do governo é omisso. Em Junho, questionado no Parlamento, Jorge Barreto Xavier alegou desconhecimento do articulado contratual.

Agora, um grupo de deputados do PS enviou à SEC um requerimento com cinco perguntas: «Qual o regime contratual que rege a prestação de serviços do consultor artístico Paolo Pinamonti ao Teatro Nacional de São Carlos?» / «Qual o montante da retribuição anual prevista nesse contrato e qual a sua duração?» / «Qual o regime contratual que rege a prestação de serviços da maestrina Joana Carneiro na Orquestra Sinfónica Portuguesa?» / «Qual o montante de retribuição anual previsto nesse contrato e qual a duração?» / «Qual a razão por que estes contratos não constam na plataforma online Portal Base, conforme obriga o Código de Contratos Públicos?»

Estamos todos cheios de curiosidade.

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terça-feira, Outubro 14, 2014

CAIR NA REAL

 
Artur Mas, presidente da Generalitat, reconheceu ontem a impossibilidade de efectuar o referendo sobre a independência da Catalunha. Disse ele: La votación no puede celebrarse por falta de garantías legales y les propuso la alternativa de organizar un proceso de participación ciudadana para conocer la opinión de los catalanes sobre el futuro político de la comunidad. Os quatro partidos catalães que apoiam o referendo (CiU, ERC, ICV, CUP) ficaram estupefactos. A imagem é do Público.

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TAMBÉM TU, FRANCISCO?

 
O Sínodo dos Bispos dedicado às questões da Família, a decorrer no Vaticano, propõe uma mudança da posição oficial da Igreja face aos homossexuais, tendo o Papa Francisco afirmado que a comunidade homossexual tem o direito a participar na vida da comunidade católica. Disse mais: face à banalização do adultério e dos divórcios, bem como à duplicidade de comportamentos (suponho que Sua Santidade se refere aos heteros que pulam a cerca), torna-se necessário reconhecer os aspectos positivos do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Sínodo termina no próximo dia 25. Clique na imagem.

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domingo, Outubro 12, 2014

CITAÇÃO, 502


Pedro Marques Lopes, O maior incompetente, hoje no Diário de Notícias. Excertos, sublinhados meus:

«Não entendo a surpresa de tanta gente com a permanência de Paula Teixeira da Cruz e de Nuno Crato no governo. [...]

Como é público e notório, nenhum dos dois ministros tem consciência da sua incompetência. Um escarnece dos cidadãos e das vidas de milhares de alunos e muitos professores brincando com tempos verbais. A senhora ministra, no intervalo da sua enésima declaração sobre pedofilia, diz que o que se passa nos tribunais não é grave, ou seja, a justiça civil parada é apenas um contratempo. E até pedem desculpa, como se a gravidade dos seus erros políticos fosse apenas uma travessura. Sendo este um governo que fala tanto do exemplo da gestão de empresas privadas  —  apesar de tão poucos terem esse tipo de experiência a sério  —, talvez não fosse má ideia perguntar a um homem com provas dadas, António Pires de Lima, por exemplo, o que faria a um seu administrador que decidisse fazer uma mudança no software e que por causa disso a empresa ficasse sem poder faturar dois meses ou mais. Ou a um que mudasse um sistema de alocação de recursos e o resultado fosse a incapacidade duma fábrica funcionar normalmente.

O disfarce comum para a incompetência e a ignorância é a ideologia. Ou melhor, a invenção duma qualquer ideologia. É por isso que ouvimos que isto são apenas problemas normais que acontecem sempre nas grandes transformações.

Passos Coelho aguentará estes autênticos símbolos de incompetência o mais que puder [...] convencido de que eles esconderão a de quem os escolheu e promoveu. Vai tarde. Já todos percebemos quem é o maior incompetente. [...]»

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sexta-feira, Outubro 10, 2014

ONDA COSTA

 
Expresso Diário, hoje. Clique.

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SAUDADES DA LITERATURA FRANCESA


Ter ficado desapontado com a escolha do Patrick Modiano para Nobel da Literatura 2014 não significa menosprezo pela literatura francesa, que tem pergaminhos de sobra, mas, nos últimos 50 anos, não revelou nenhum grande autor. Estou a falar de ficção, poesia e dramaturgia. Se, nos obscuros equilíbrios da Academia Sueca, este era o ano da França, teria preferido que o prémio fosse para Michel Houellebecq ou Bernard-Henri Lévy.

Uma literatura que deu ao mundo Balzac, Baudelaire, Beauvoir, Bernanos, Camus, Céline, Char, Claudel, Cocteau, Corneille, Diderot, Du Gard, Duras, Éluard, Flaubert, Genet, Gide, Gracq, Hugo, Laclos, La Fontaine, Laforgue, Larbaud, Lautréamont, Leduc, Mallarmé, Malraux, Marivaux, Maupassant, Molière, Montherlant, Nerval, Perec, Peyrefitte, Prévert, Proust, Rabelais, Racine, Reverdy, Rimbaud, Ronsard, Rousseau, Sade, Sarraute, Sartre, Simenon, Stendhal, Troyat, Vailland, Valéry, Verlaine, Villon, Voltaire, Yourcenar, Zola, etc., dispensa caução de terceiros. Por razões óbvias, não meto aqui o Barthes, o Foucault e o Montaigne, trio que muito admiro. Portanto, nada contra a literatura francesa.

Em Portugal há tanta obra-prima francesa esgotada que os nossos editores têm muito por onde escolher. A Bastarda de Violette Leduc (1907-1972) é um exemplo entre muitos. A edição que a Portugália editou em 1966 foi traduzida de forma irrepreensível pela romancista Natália Nunes e inclui o prefácio de Simone de Beauvoir. A capa é de João da Câmara Leme.

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quinta-feira, Outubro 09, 2014

NOBEL DA LITERATURA 2014


Patrick Modiano, francês, 69 anos, autor de vinte e oito romances publicados a partir de 1968, é o laureado com o Nobel da Literatura 2014. Escrevi sobre um dos seus livros, L’Horizon / O Horizonte, publicado pela Porto Editora.

Excerto do meu texto: «Com a propensão que tem para o ditirambo, alguma crítica francesa considera Patrick Modiano o maior escritor da “Langue” depois de Proust. Descontado o exagero, Modiano é o autor de uma obra de proporções assinaláveis, várias vezes premiada. A sua ligação ao cinema, escrevendo para realizadores como Malle, Mizrahi, Rappeneau e outros, potenciou a fama. [...] Oriundo de uma família judaica que sofreu as consequências do horror nazi, Modiano desenvolveu nos primeiros livros uma visão historicista da França. Mas, a partir de Rue des Boutiques Obscures (1978), vencedor do Goncourt, a obra sofreu uma inflexão. [...]» — revista Sábado, 8 de Dezembro de 2011.

Então ficamos assim.

[Imagem: Modiano fotografado em 1975 por Sophie Bassouls. Clique.]

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EFEITO COSTA

 
As sondagens valem o que valem, mas são um barómetro da realidade. Segundo a Aximage, em estudo para o Correio da Manhã, se as eleições fossem hoje, o PS obteria 40,2% dos votos. O PSD não passava de 27,4%. Em Setembro, com Seguro, a diferença entre os dois partidos era de 2,3% a favor do PS. Agora, com Costa, passou a ser de 12,8% a favor do PS. Sobre quem merece mais confiança para primeiro-ministro, Costa vence com 56,2%. PPC não vai além de 31,1%. Clique na imagem para ver melhor.

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segunda-feira, Outubro 06, 2014

DILMA

 
Nas presidenciais brasileiras, ontem realizadas, Dilma Rousseff ganhou a primeira volta com 41,6% e disputará a segunda com Aécio Neves, que obteve 33,5%. Marina Silva obteve 21,3% e apela ao voto em Aécio. Lá como cá, é sempre assim: na hora da verdade, a esquerda radical prefere apoiar a Direita em detrimento da Esquerda tradicional.

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sábado, Outubro 04, 2014

MAIS UM

 
Depois dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, do escocês David Haines, trabalhador de uma agência humanitária, e do francês Hervé Gourdel, guia de montanha (executado na Argélia), foi ontem decapitado o taxista inglês Alan Henning. Ontem mesmo, o ISIS anunciou que o americano Peter Kassig, trabalhador de uma agência privada de segurança, será o próximo. Enquanto isso, os senhores Obama, Cameron e Hollande, mais uma dúzia de impedidos de terceira linha, andam entretidos com os seus raids aéreos.

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sexta-feira, Outubro 03, 2014

THOMAS PIKETTY

 
Chegou às livrarias. A tradução de Sarah Adamopoulos é uma garantia. Thomas Piketty, 43 anos, normalien, é professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales e na École d’Économie de Paris. Também já deu aulas no MIT. Marx teria gostado da sequela.

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quinta-feira, Outubro 02, 2014

QUEM ÉS TU?

 
Quem será a misteriosa personagem? Soares tem razão: se Ricardo Salgado abrir o jogo, nada ficará como dantes. A imagem é do jornal i. Clique.

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SIMON SEBAG MONTEFIORE


Hoje na Sábado escrevo sobre Uma Noite de Inverno, de Simon Sebag Montefiore (n. 1965), jornalista britânico que frequenta a família real e trata Cameron por tu. Montefiore, que goza da reputação de ser especialista em assuntos russos, nasceu no seio de uma família de judeus-sefarditas e é autor de ensaios e romances históricos, uma biografia de Estaline e uma história de Jerusalém a partir da qual a BBC fez uma série de televisão. Uma Noite de Inverno descreve a vida em Moscovo na segunda metade dos anos 1940, vista a partir do quotidiano das elites soviéticas. Algumas personagens são reais (o próprio Estaline, Beria, Zhukov, o embaixador americano Averell Harriman, etc.), e várias outras transitam do romance anterior, Sashenka. Tema central: os anos do estalinismo, em especial a partir de 1945, quando o anti-semitismo do líder soviético atingiu o zénite. A história inspira-se em factos verídicos, mas o autor alterou a data da morte de dois adolescentes “dourados”, ambos com dezoito anos. A realidade encontra-se detalhada em Estaline: a corte do czar vermelho, obra de Montefiore traduzida em Portugal em 2007. Infelizmente, Montefiore não é Henri Troyat. Publicou a Dom Quixote.

Escrevo ainda sobre O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky, novela de Patrícia Reis (n. 1970) que recebeu o Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal 2013-2014. O monólogo interior não abdica do pacto ficcional. É irrelevante que o cenário seja um bar de Macau, lugar tão bom como qualquer outro «para perder a razão». Por comparação com a maioria dos ficcionistas portugueses revelados na última década, Patrícia Reis domina a técnica narrativa com propriedade. Lá onde quase todos tropeçam nas “ideias”, sem cuidar do acerto da língua, a autora de Contracorpo tem voz própria. Não é a primeira vez que o digo, mas certas evidências ganham em ser repetidas. Nem de propósito, o tema (a ilusão de chegar à Literatura com o pé de cabra da escrita criativa) é glosado com sarcasmo pelo narrador. O mal de vivre subsume o essencial: o inferno são os outros? A resposta fica em aberto. Publicou a Dom Quixote.

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quarta-feira, Outubro 01, 2014

ATÉ QUE ENFIM

 
Entrou hoje em vigor a Lei n.º 69/2014, de 29 de agosto, que altera o Código Penal, de forma a criminalizar os maus tratos a animais de companhia (cães e gatos). O conceito de maus tratos inclui qualquer tipo de coacção física: dor, sofrimento, privação de alimentos, abandono, mutilação ou morte. A pena de prisão pode ir até aos dois anos de prisão efectiva. Infelizmente, receio que seja mais uma lei para Europa ver.

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terça-feira, Setembro 30, 2014

CITAÇÃO, 501


José Vítor Malheiros, O PS na encruzilhada do seu labirinto, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«A primeira consequência da vitória de António Costa nas primárias do PS é que vamos deixar de ver e ouvir António José Seguro na televisão. E isso, só por si, é uma bênção. [...] O homem não se enxergava e, quando isso acontece, é prova não só de uma limitação pessoal mas também de que, à sua volta, existe uma corte de bajuladores que alimentam a cegueira. Seguro era um líder fraco e sabia que era fraco. As suas constantes e penosas declarações de honradez, de perseverança e de coragem (nunca ninguém lhe disse que há qualidades que não se declaram?) eram a prova mais gritante disso mesmo. Mas é evidente que o principal defeito de Seguro foi a sua tépida acção como líder do maior partido da oposição. A sua “abstenção violenta” ficará para a história como uma página de vergonha para o PS e a sua colaboração de facto com o governo mais reaccionário de sempre feriu profundamente a imagem do PS.

E Costa? Costa é em grande medida uma incógnita mas é certamente um líder mais consistente e mais seguro de si, mais culto e mais inteligente, e parece menos mesmerizado pelo neoliberalismo e menos fascinado pela elegânca dos banqueiros do que muitos dos seus colegas de partido, o que significa que poderá liderar um PS mais mobilizado e empenhá-lo numa trajectória politicamente mais ambiciosa e socialmente mais justa. [...]

A esquerda à esquerda do PS olha para Costa com uma invulgar agressividade porque receia a atracção do “voto útil” que Costa poderá representar para o seu eleitorado. O efeito “eucalipto” que Costa pode representar para a esquerda, fazendo o deserto à sua volta, preocupa BE e PCP e não só. Pelo meu lado, penso que a política precisa de políticos inteligentes, honestos e comprometidos com a causa pública e que o país só tem a ganhar se houver partidos dirigidos por pessoas com ideias e a coragem de definir objectivos ambiciosos e construir consensos. Costa pode ser um desses líderes, se tiver a coragem de fazer a revolução social-democrata que o PS nunca fez e se tiver a coragem de fazer uma política que ponha a justiça à frente da finança. O PS nunca o fez antes, fascinado como sempre foi pela realpolitik, e é pouco provável que o faça agora, mas essa seria a única justificação para a sua existência. O que deve fazer a esquerda à esquerda do PS? O seu dever: continuar a defender uma política para as pessoas sem receio de afrontar os poderes ilegítimos da finança, dos mercados e de Bruxelas e demonstrar, em cada momento, a justeza e a justiça das suas propostas  —  como o fez com a ideia da renegociação da dívida. Se o acordo com o PS de Costa é possível e benéfico, só o futuro o dirá.»

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segunda-feira, Setembro 29, 2014

CITAÇÃO, 500


José Pacheco Pereira, O dia um do ano aleitoral, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«Hoje começa o ano eleitoral de 2015. O PS passou a partido de oposição. [...] na última semana antes das primárias, houve um encontro secreto entre o secretário-geral da UGT e o primeiro-ministro. [...] As fontes do governo diziam que era fundamental haver um acordo antes do final do processo eleitoral no PS. Percebe-se porquê. O secretário-geral da UGT é um dos principais executantes da política de Seguro, de que foi um dos mais activos apoiantes, prestou-se ao timing propagandístico do governo e à substância de um acordo que fragiliza a segurança social, a mesma que o governo usa como pretexto para as suas previsões neomalthusianas. [...] Que se cuide quem não quiser ver que o PS teve uma das poucas vitórias junto da opinião dos portugueses que é de índole político-partidária.

Já não havia disso desde os anos de brasa da revolução. Havia vitórias e derrotas políticas, ligadas a personalidades, mas uma vitória que pudesse ser assacada a um partido enquanto tal, já não se verificava há muito. [...] Seguro teve um papel paradoxal. Fez todas as escolhas por razões estritas de sobrevivência e, porque não tinha nada a perder, e acabou por ser revolucionário malgré lui-meme.

As primários foram convocadas pelas piores razões do mundo: eram um subterfúgio de Seguro para continuar na liderança do PS mais uns meses, na esperança de que qualquer crise lhe desse uma oportunidade, pressupunham uma estratégia negativa de desgaste do aniversário, que o tempo longo sempre traria [...] Mas o PSD, que amava Seguro com o “coração”, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, dificilmente vai perceber o que lhe está a acontecer. Fica-se pela oposição a Costa, quase ao nível da oposição que fazia na autarquia de Lisboa, e não quer, porque não pode, mudar nada. Nem sequer compreendeu que as primárias do PS, em conjunto com a vitória expressiva de Costa, soam a um sino muito preocupante e que nada disto podia hoje acontecer na paz de um cemitério, com os mortos bem firmes a defender as campas, que é hoje o PSD.

A verdade, verdadinha, é que na semana em que o PS andou a fazer as tão menosprezadas eleições internas, com tantos “insultos” e vazio de ideias, o PSD andou às voltas com a Tecnoforma, os esquecimentos bizarros de Passos Coelho, e o que mais se virá a saber dessa misteriosa ONG criada para ir buscar negócios para a Tecnoforma. Alguém troca uma coisa por outra?»

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VITÓRIA FOLGADA


Está feito. Costa venceu as Primárias do PS, obtendo mais do dobro dos votos do seu adversário: 118.454 contra 55.239. Votaram 70,24% dos inscritos. Em Lisboa, Costa venceu por 84,22% [Média de Lisboa FAUL e Lisboa FRO.] Em 23 Federações, o antigo secretário-geral só venceu na Guarda.

Seguro honrou o compromisso assumido e demitiu-se de secretário-geral às 20:45h  —  Sou, a partir deste momento, militante de base. Hoje deverá renunciar ao mandato de deputado e ao cargo de conselheiro de Estado.

Clique na imagem.

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domingo, Setembro 28, 2014

É HOJE

 
As Primárias do PS que hoje se realizam são decisivas para o futuro do país. Estamos de novo como em Abril de 1976, quando se realizaram as primeiras eleições legislativas, ou como em Janeiro de 1986, quando, à boleia das presidenciais, a Direita quis tirar desforra do 25 de Abril, e perdeu. Daqui a pouco vou votar em António Costa. A razão é simples: não quero o PS transformado num berloque do regime.

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sexta-feira, Setembro 26, 2014

COSTA, OF COURSE!

 
Domingo é dia de Primárias no PS. O Expresso Diário fez uma sondagem cujo resultado se vê na imagem. Clique.

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POMPAS NA FERIN

 
Duas imagens do lançamento de Pompas Fúnebres, o meu livro mais recente, apresentado hoje por Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura e do Tribunal de Contas. A foto ao alto é de Ana Vidigal, e a de baixo de Jorge Neves. Clique para ver melhor.

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TECNOGATE, 2


De acordo com o documento supra, datado de ontem e assinado pelo secretário-geral da Assembleia da República, as declarações de IRS de Passos Coelho respeitantes aos anos em que o actual primeiro-ministro foi deputado em regime de exclusividade  —  anos 1990: VI e VII Legislaturas  —, não podem ser entregues à Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação.  Comentários para quê?

Hoje de manhã, o primeiro-ministro afirmou no Parlamento que não recebeu honorários da Tecnoforma enquanto foi deputado. Apenas despesas de representação, uns almoços e uma ou outra viagem a Bruxelas. Segundo o jornal i, que teve acesso (sem explicar como) às declarações fiscais de Passos Coelho, «não foi declarado qualquer valor proveniente da Tecnoforma ou de outra entidade com ligações a esta empresa entre 1996 e 1999.» O imbróglio prossegue.

[A imagem é do Público. Clique para ler melhor.]

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POMPAS FÚNEBRES

 
Publiquei o meu primeiro livro em 1974. Passaram 40 anos. Nesse intervalo publiquei livros de poesia, ficção, ensaio e crítica, uma adaptação do Eça para crianças, diários de viagem e um volume de memórias. Pompas Fúnebres, o mais recente, é apresentado hoje por Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura e do Tribunal de Contas. Apareça. Clique na imagem para ler melhor.

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quinta-feira, Setembro 25, 2014

PHILIPP MEYER


Hoje na Sábado escrevo sobre três livros: O Filho, de Philipp Meyer (n. 1974); Bifes Mal Passados, de João Magueijo (n. 1967); e A Bela Americana, de Jess Walter (n. 1965).

Meyer escreveu apenas dois romances, mas tornou-se um caso da nova literatura norte-americana. Ferrugem Americana foi o primeiro e um êxito instantâneo. Chegou agora O Filho, a história da nação americana vista a partir do Texas, através da saga de três gerações da mesma família, entre 1836 e 2012. Depois de pesquisar tudo o que havia a pesquisar sobre “a América” (os Estados Unidos) como identidade nacional, Meyer escreveu este épico. O livro foi finalista do Prémio Pulitzer e, para muitas publicações de referência, o melhor romance publicado em 2013. Foi em 1836 que o Texas foi “arrancado” ao México. Foi também nesse ano que nasceu o narrador: «Eu fui a primeira criança do sexo masculino desta nova república.» O foco da intriga é a linha de fronteira, a fundação, ascensão e declínio das civilizações. Meyer nunca se desvia da mensagem subliminar, embora escreva no tom displicente do jornalismo actual, isento de ênfase literária, o que neste caso traz óbvias vantagens ao relato. O facto de estarem intercalados vários tempos cronológicos, torna a leitura extremamente aliciante. Edição Bertrand.

Em 2003, parece que toda a gente leu Mais Rápido Que a Luz, o livro-sensação do cosmologista João Magueijo. Aparentemente, um tema tão esotérico como a teoria da velocidade da luz variável era acessível à iliteracia universal. Radicado no Reino Unido há mais de vinte anos, Magueijo, professor de física teórica no Imperial College de Londres, resolveu agora contar como vê a sociedade britânica. Bifes Mal Passados é o relato desabrido da sua experiência em terras de Sua Majestade. Ao contrário do livro anterior, que teve de ser traduzido, este foi escrito em português. Em nota final fica esclarecido que os «passeios e outras catástrofes» aconteceram mesmo. Num tom rude, Magueijo passa em revista a hierarquia de classes, os sotaques, as “public schools”, o clima, os motins raciais, o sexo, o desporto, as férias, os animais domésticos, a alimentação, o álcool (as páginas sobre Gales são eloquentes), a religião, as idiossincrasias académicas, a “indústria financeira”, a síndrome pós-colonial, etc. Fique dito que não me incomodam os palavrões: os genitais têm nome e Magueijo faz muito bem em recusar metáforas pífias. Sem abdicar dos pressupostos do autor, Bifes Mal Passados podia ser um livro divertido, e pedagógico, em vez de ser um livro quezilento. Publicou a Gradiva.

Nunca perceberemos o sucesso de certos autores. É o caso do contista e romancista americano Jess Walter, cujo livro mais recente acaba de ser traduzido. A Bela Americana traz na capa a sentença de Richard Russo: «Para quê poupar nas palavras? É uma obra-prima absoluta.» Não está sozinho. O New York Times considerou-o um dos cem livros “notáveis” publicados em 2012, ecoando elogios vindos de toda a parte, incluindo o Huffington Post. Só a heterodoxa Salon torceu ligeiramente o nariz. O romance intercala vários flashbacks. Os de 1962 para meter Richard Burton e Elizabeth Taylor na história, os mais antigos para desviar a intriga do foco central. A pretexto da sucessão de incidentes que fizeram da atribulada rodagem de Cleópatra um caso de estudo, o autor mistura factos com insinuações para colar Burton a Dee Moray, a personagem do romance que inspirou o título infeliz da edição portuguesa. Admito que os mexericos (como descritos entre as páginas 183 e 188 e noutras partes) tenham sustentação, pois quem acompanhou a imprensa da época lembra-se do halo de escândalo que envolveu a produção do filme de Mankiewicz. O óbice é outro. Walter parece ter querido escrever dois livros, não acabou nenhum, e resolveu o impasse misturando as partes. Veja-se como os capítulos “novela italiana” e, em especial, o diário de Alvis Bender, não encaixam nos do outro lado do Atlântico. Com sentido das proporções quando trata de cinema, a mordacidade é de regra: «Os filmes hoje em dia não passam de veículos de concessões...» O essencial do livro é sobre a indústria (sem esquecer a igreja da Cientologia), sendo citados de forma mais ou menos provocatória dezenas de actores e realizadores. Laurence Olivier surge em discurso directo e temos direito a uma tirada de mau gosto sobre “Larry” e John Gielgud. Em todo o caso, o contraponto entre religião e cinema está bem apanhado: «Não eram as salas de cinema os nossos templos, o único sítio onde as pessoas entravam separadas, mas saíam duas horas depois juntas, com a mesma experiência, as mesmas emoções conduzidas, a mesma moral? [...] O que era isso, senão uma religião?» Retrato cínico de Hollywood, portanto. Mas para roman à clef é deveras abstruso. Publicou a Asa.

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TECNOGATE


Os dois requerimentos que vemos na imagem, ambos assinados por Pedro Passos Coelho, provam: um, o actual PM requereu a atribuição do subsídio de reintegração em Outubro de 1999 (receberia cerca de 60 mil euros em Maio do ano seguinte); dois, durante a tramitação do processo, reiterou, em Fevereiro de 2000, ter exercido funções de deputado em regime de exclusividade durante a VI e VII Legislaturas. No requerimento da esquerda pode ainda ler-se a seguinte nota: «Não consta que o Sr. ex-Deputado tenha enviado as declarações do IRS relativas aos anos 1995/99.» Sobre este assunto, o actual PM declarou há dias: «Não tenho presente todas as responsabilidades que desempenhei há 15 anos...» Também se esqueceu de ter recebido honorários da Tecnoforma, «cinco mil euros durante vários meses», ao mesmo tempo em que era deputado em regime de exclusividade.

A cereja em cima do bolo é a carta enviada ontem, pelo actual PM, à Procuradoria-Geral da República, indagando «se houve algum ilícito no recebimento de montantes não declarados [ao Fisco] e com origem na Tecnoforma...» Porém, como lembra Braga Temido, antigo procurador-geral distrital de Coimbra, «um crime que prescreveu não pode ser investigado». Também ouvido pelo Público, o constitucionalista Manuel Costa Andrade foi peremptório: «É ridículo abrir um inquérito que já se sabe que será de imediato arquivado.» Comentários para quê?

[A imagem é do Público. Clique para ler melhor.]

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quarta-feira, Setembro 24, 2014

CITAÇÃO, 499


Pedro Santos Guerreiro, A cabeça de Passos está no cepo, Expresso Diário. Excertos, sublinhados meus:

«O primeiro-ministro assinou hoje [ontem] uma carta em branco de demissão. [...] Se forem confirmadas as suspeitas que ainda não foram desmentidas, Pedro Passos Coelho violou a lei nos anos 90. Se violou o estatuto de incompatibilidades da Assembleia da República, recebeu então mais dinheiro do Parlamento do que devia no subsídio de reintegração. Se recebeu dinheiro da Tecnoforma que não declarou, então pior: fugiu aos impostos. E não só não é possível ter um primeiro-ministro que praticou evasão fiscal [...] Não é crível que alguém se esqueça ao fim de 15 anos de receber cinco mil euros durante vários meses. Isso não existe, ou Passos recebeu ou não recebeu. Se recebeu, não basta pedir desculpa, Passos tem de demitir-se. [...]»

[Imagem: primeira página do parecer jurídico da Assembleia da República, assinado por Henrique Pereira Teotónio, em 23 de Maio de 2000, sobre a atribuição do subsídio de reintegração ao então deputado Pedro Passos Coelho. O documento de cinco páginas está disponível na íntegra no Expresso Diário. Clique para ler melhor.]

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VALE TUDO?

 
Acusando António Costa de ser amigo de colaboradores de Ricardo Salgado, ao citar sem pudor o nome do advogado Nuno Godinho de Matos, fundador do PS e administrador do BES durante seis anos, António José Seguro deixou o país atónito. A promiscuidade entre a alta finança e o milieu político não se combate com insinuações obscenas. É irrelevante saber se António José Seguro tem condições para disputar as próximas legislativas em nome do PS. Trata-se de deixar claro que um homem deste calibre não pode estar à frente de um partido.

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sexta-feira, Setembro 19, 2014

A VIDA COMO ELA É

 
A independência da Escócia foi rejeitada por 55,3% dos eleitores. Não é uma vitória avassaladora, mas também não é um taco-a-taco. Onze pontos de diferença são a linha de fronteira. A abstenção ao referendo foi de 15,4%. A imagem é do Guardian e reflecte o resultado oficial. Clique na imagem.

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